Turismo étnico celebra o patrimônio negro no Brasil

Modalidade tem atraído viajantes do Brasil e do mundo

Importante instrumento para a autonomia econômica de algumas comunidades quilombolas no país e de valorização do patrimônio histórico, cultural e natural de populações negras e indígenas, o turismo étnico no Brasil tem conseguido atrair milhares de viajantes que buscam conhecer mais de perto o patrimônio negro e indígena no Brasil.

Com roteiros em diversos estados como Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, as agências especializadas em turismo étnico têm conseguido atender a uma parcela dos viajantes que, além de explorar os destinos tradicionais, querem conhecer quilombos, aldeias indígenas e espaços que contam a história dos povos escravizados durante a colonização do Brasil.

Uma dessas agências é a Brafrika Viagens. Sediada em São Paulo, a empresa é comandada pela empreendedora Beatriz Souza, que teve a ideia do negócio durante uma conversa com um amigo africano em que ficou claro o interesse e a falta de informação sobre como e para onde viajar na África, afim de redescobrir um pouco das suas origens.

Em entrevista ao Pé na Rota, ela afirma que, durante o bate papo, foi percebendo a falta de informação e este crescente sentimento de resgate da ancestralidade alinhada à modernidade.

“Percebi que tínhamos em mãos uma ideia que poderia virar um negócio. Decidi então pesquisar um teste de DNA que mapeia os seus traços genéticos e planeja uma viagem com um roteiro que proporcione o resgate ancestral nos países e regiões que se apresentarem no meu DNA. A nossa missão é incentivar as pessoas a fazer esse teste e, em seguida, efetuarem as nossas viagens com roteiros que irão lhe trazer um pouco da sua própria história”, conta Beatriz.

Roteiros étnicos no Brasil

Dentre os inúmeros roteiros étnicos disponíveis no Brasil e no mundo, Beatriz destaca o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em Alagoas. Ela afirma que o destino consegue fazer com que o viajante tenha a sensação de pertencimento e resgate ancestral.

“É um local ainda não muito conhecido, principalmente aqui em São Paulo, e que, com toda certeza, trará esse pertencimento que queremos” complementa.

Além de Alagoas, a empreendedora destaca um roteiro de Minas Gerais, que traz a história de Chico Rei, também chamado de Galanga, que foi um Monarca no Congo e trazido ao Brasil como escravizado e, após conquistar sua liberdade, fez coisas extraordinárias no município de Ouro Preto MG.

Outro destino muito conhecido pelos viajantes brasileiros e destacado por Beatriz é Paraty, no Rio de Janeiro. No local, é possível visitar o núcleo familiar do Quilombo do Campinho, um local conquistado por três mulheres ex-escravizadas.

Atualmente, além de um núcleo familiar, o quilombo conta com uma agroflorestal, um restaurante de comida típica quilombola, bem como atividades e feiras artesanais.

Quadro exposto no Museu Solar Ferrão, em Salvador (BA)

A Bahia, estado com grande potencial para o turismo étnico, com territórios quilombolas espalhados em diversas regiões, também tem se configurado para atender ao público desta modalidade turística.

Composto por cinco comunidades, o Território Quilombola Caônge, Dendê, Engenho da Praia, Engenho da Ponte e Calembá, localizado em no município de Cachoeira, foi reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Estado, em 2018. Na área de 973 hectares vivem 83 famílias remanescentes de quilombos.

Vista de São Félix da orla de Cachoeira (BA)

As comunidades mantêm características culturais e religiosas próprias. O Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) confirma a presença da religiosidade de matriz africana e que a região tem resquícios do desenvolvimento das atividades escravagistas, com ruínas de engenhos e de construções da época colonial.

Roteiros étnicos no exterior

Mesmo em elaboração de roteiros étnicos no exterior, a empreendedora da Bafrika afirma que, quem deseja resgatar a sua história Norte Africana, Marrocos é o nosso destino.

“Moçambique, África do Sul e Nigéria também estão em nossos planos de desenvolvimento, assim como Senegal. Iremos explorar também algumas cidades europeias e norte-americanas com alta concentração da população negra diaspórica e sua cultura”, conclui.

Hospedagens

Pagar garantir hospedagens seguras e de qualidade, principalmente em locais pouco explorados, vale a pena pesquisar no Booking.com. São milhares de opções em destinos no Brasil e no mundo. A plataforma é parceira do Pé na Rota.

Sobre a Bafrika Viagens

A Bafrika é uma agência de viagem online afrocentrada, com pacotes nacionais e internacionais em lugares que trazem forte história ancestral sobre a população negra.

A empresa oferece pacotes de viagem nacionais e internacionais afrocentrados, passagens aéreas baratas, excursões, seguro viagens e cruzeiros. Além disso, orienta sobre o Teste de Hereditariedade via DNA.

As informações completas sobre a Bafrika Viagens podem ser obtidas pelo site www.brafrika.com.br ou telefone (11) 96927-1363.

Igor Leonardo

Jornalista e viajante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *